O desporto sempre fez parte da minha vida, tenha sido praticado como federado ou apenas como um hobbie. A federação iniciou-se primeiramente aos 12 anos, no futebol de onze, na equipa dos iniciados. Permaneci no mesmo pelo menos durante 5 anos, chegando a conquistar um campeonato no ano 2005/2006, do qual me orgulho por ser o ponto mais alto na minha carreira como jovem jogador. Infelizmente, um ano depois sofri uma lesão grave e achei por bem dar por encerrada a minha carreira de jogador de futebol.

Após algum tempo, interessei-me pelo trail e, em 2014 realizei as minhas primeiras provas. Mesmo sem o treino regular, fizeram-me aperceber que os meus resultados eram bons e nesse mesmo ano decidi contactar um clube para que pudesse correr como federado. Com o apoio do clube e vários incentivos dos meus colegas de corrida, aos poucos comecei a realizar mais provas e a intensificar os treinos, acabando por focar os meus objetivos na corrida de estrada.

Uma das minhas primeiras conquistas foi a Meia Maratona do Funchal em 2015, uma prova dura para a qual não tinha o tempo de treino suficiente mas, mesmo assim arrisquei e orgulho-me de pelo menos ter chegado até ao fim.

Outra conquista foi a Madeira Uphill Marathon 2015 (Meia-Maratona mais dura da Europa). Esta prova consistia num percurso de 21km iniciando-se no centro da cidade do Funchal e terminava no cimo do pico segundo mais alto da ilha, o Pico Arieiro. Muitos amigos, familiares e até alguns médicos tentaram me demover chamando-me até de louco mas, a minha teimosia prevaleceu. Não foi uma prova nada fácil! Cansado, cheguei ao fim e, para sempre guardo esta vitória épica, quando todos temiam que não conseguisse.

O ano seguinte já não foi tão memorável. Sofri algumas lesões e não realizei tantas provas como tinha objetivado. Consegui correr novamente a Meia Maratona do Funchal 2016 mas terminei com muitas dores e a recuperação foi um pouco difícil. Mesmo assim, inscrevi-me para o Madeira Uphill Marathon 2016 de modo a pelo menos cumprir com duas provas que me tinha proposto a realizar. Tive de desistir a meio do percurso devido a uma lesão agravada.

Após isto, decidi parar um pouco e procurar formas de tratamento e recuperação das lesões que tinha. Durante algum tempo recorri a massagem e a aquaterapia. Consegui identificar as razões das lesões, curá-las e indicaram-me formas de não as voltar a cometer. Recuperei bem e voltei em força aos treinos e às provas de estrada.

Neste novo ano 2017 já tenho objetivos traçados: melhorar a classificação no campeonato regional; ter uma boa prestação na Maratona do Funchal 2017 e no Madeira Uphill Marathon 2017; realizar o Mini MIUT e, se possível, correr a Maratona de Lisboa.

Visto que a vida de atleta não é só correr, há que ter outros cuidados a nível de alimentação, hidratação, repouso e relaxamento. Tendo iniciado este hobbie com o objetivo principal de perder peso, tive que ter atenção ao que comia. Até obter o peso desejado tentei reduzir um pouco as quantidades, sem penalizar a energia necessária para o exercício em questão. Após esse sucesso, adaptei a minha alimentação à minha condição física. Aquando os treinos, tento manter uma alimentação leve mas, que me forneça energia suficiente para aguentar o esforço feito. Tenho sempre o cuidado de não correr quando ainda estou a fazer a digestão nem quando estou em jejum.

Manter-se hidratado é de extrema importância e devemos ter isso em atenção antes, durante e e após o exercício físico. Neste último, se for bastante rigoroso, recorro a uma bebida energética adequada à nossa alimentação. Esta ajuda-me imenso principalmente nos dias de prova, noto que o meu rendimento é maior e o nível de energia aumenta. Ao beber a bebida energética e conjugando os alongamentos após o esforço, noto que me sinto menos fatigado e as dores são menores.

Acrescento ainda a necessidade de relaxar e fazer repouso (uma lição bem aprendida recentemente) pois os músculos necessitam recuperar do esforço realizado caso contrário poderão surgir lesões causadas pelo esforço excessivo.

Desta forma, aconselho a todas as pessoas que façam desporto seja para se manterem em forma ou para competirem. Além de fazer bem ao corpo, ajuda-nos a nos abstrairmos dos problemas diários e a nos sentirmos melhor connosco próprios… e não é a nossa doença que nos vai impedir!

Ivan Correia, Fenilcetonúria